domingo, setembro 23, 2007

Futuros Amantes

Tentei só ouvir, tentei olhar de outro modo, compreender sem preconceito, mas não teve jeito. Amo o Chico Buarque, todo mundo sabe, mas não pude resistir: Chico sem camisa no primeiro plano é UÓ. Depois de ouvir a voz conhecida falar com carinho “amor que não foi utilizado porque não foi correspondido, ele fica ímpar pairando ali, esperando que alguém o apanhe e complete a sua função de amor” o que você menos espera é ver o ombro nu do Chico saltando na tela.

Destaque ainda para os olhos miúdos, a expressão de garotão de praia e a séria de amassos dos casais.

Vídeo de 1993. É por essas que eu insisto que os anos 90 ainda receberão o seu lugar de destaque entre as décadas bregas da história. Para mim, vence a de 80 fácil, fácil.

quinta-feira, setembro 06, 2007


Desde criança, me impressiona o 30 de agosto. Minha mãe é professora e hora ou outra escutava o que tinha acontecido em 1988, por isso formei uma idéia gigante do quão terrível havia sido o dia em que um governador do Estado permitiu que a cavalaria utilizasse bombas de efeito moral em educadores. Por esses dias, fui cobrir para o jorlab a manifestação de 19 anos do acontecimento e foi um pouco decepcionante. Todo ano a paralisação em memória do 30 de agosto alcança 90% de adesão, mas as manifestações não são tão cheias. Se a indignação compartilhada por todo professor não é suficiente para encher a Santos Andrade, há muito mais pelo que se lamentar.

terça-feira, setembro 04, 2007

Mainstream daqui pro futuro

Deu na Quem:

Patu Fu lança cd independente pela internet
"Longe de uma grande gravadora, a banda mineira lança um de seus melhores discos primeiro pela internet".
Especialmente pra quem simpatizava com algo da banda, mas achava tudo muito mainstream.

Você pode ler a matéria na edição de 30 de agosto. Entre a matéria em que a Cássia Kiss revela ter bulimia e ser bipolar e as fotos do casamento da filha do Alkmin.

Em paralelo quase cronológico, Marcelo Camelo grava um acústico MTV com a ex-dupla de irmãos Sandy e Junior.
Especialmente para quem... ah. hamm. Não sei. Pra quem achava Los Hermanos muito indie?

sexta-feira, abril 20, 2007

enquanto dorme

Há poucas coisas tão reconfortantes na vida quanto ver quem se quer bem dormindo. A expressão relaxada, os lábios tranqüilos e a sensação de eternidade são quase palpáveis.

Fazer um trabalho chato por 5h parece uma fração tão mínima da vida, tão insignificante, que você aceita com resignação. Tudo pode estar mal, mas o ideal de felicidade permanece ali. É esticar os dedos.

E ainda tem as sobras convidativas do cobertor. Ai, o céu de quem passou às 3h. Amenizar, acalmar, abobar. Dormir.

sábado, janeiro 13, 2007

do como o pouco é suficiente

Tudo (TUDO mesmo) que eu preciso para ser absurdamente feliz hoje é de um gramado fresco com vista pro céu e de duas ou três frases de amor.


Isolamento (do mundo) é o que há.
S2

sexta-feira, janeiro 12, 2007

é só saudade, mas (Ah! vocês conhecem essa música)

Sabe, esse negócio de saudade é interessante. Ruim (horrível. Não pense que gosto), mas há momentos divertidíssimos.

É divertido perceber a saudade chegar. Está-se lá, fazendo algo habitual, totalmente corriqueiro e ela chega. Você se vê acometido por alguma lembrança muito aleatória (e sem grandes atrativos sentimentais) ou então é a descoberta (que sempre parece desconhecida, apesar da repetição diária) de que as coisas são grandes demais. O sofá, a cama, a mesa, o prato. Tudo parece ter sido fabricado para ser usado em conjunto,(e viva a coletividade!), dividido, igualmente partilhado. O corpo parece insuficiente. Pequeno demais, leve demais. Incapaz de ocupar o seu devido lugar no espaço, de pressionar suficientemente o chão e impulsionar o caminhar.

É claro que pode ser apenas a percepção (atrasada) de que 1,67m não é altura de gente, mas isso acabaria com qualquer pretenso lirismo meu.

E ainda há a fase final que é a etapa da revelação. Nela você descobre que está sozinho há pouquíssimo tempo, lembra-se de casais que vivem separados ANOS, então roda com um empurrão o círculo (vicioso, hê) da saudade, e vai se ocupar de algo bem prático, de preferência braçal, fingindo que é um ser totalmente anolstalgico, asaudosista. Assim mesmo, um insensível experimentado.

Desculpe os clichês (os desnecessários e os necessários), mas é que eu sou piegas demais.
Estou quase igual a uma garotinha de 13 anos, dessas que escreve poesias ruins em cadernos secretos e desenha corações desproporcionais nos cantos das folhas.

terça-feira, dezembro 26, 2006

Inquietudes

Estava (estoy) pensando hoje no que cria a identidade humana e que possibilitaria uma ação coletiva, ou, quiçá, um sentimento de coletividade. Esta foi a pauta das minhas últimas conversas de bar e o período solitário das férias tem me ajudado a pensar sobre. Essa fase das minhas férias tem sido deveras produtiva (e engordante, confesso) apesar de que os habituais 30° C reduzem à metade minha já limitada capacidade intelectual.

Tentei encaixar uma porção de características humanas na frase “ser humano é...”. Busco algo mais intrinsecamente humano do que aquela série de conceitos biológicos do qual só os cientistas se lembram. Mamífero, bípede, telencéfalo altamente desenvolvido, polegar opositor... Só recordamos que nada mais somos que animais quando precisamos justificar algo. Uma falha moral, geralmente. (me eximo de discutir moral, ética e valores aqui pra não me perder ainda mais).

Após algumas falácias voluntárias em busca da característica unificadora, da síntese humana, descobri (Ou, conforme espernearia Niezsche, inventei uma verdade cômoda pra saciar minha busca) que o que nos identifica como gente é a crença. As crenças são variadas, lógico, mas são elas que colocam sentido na vida (ou nisso que chamamos genericamente de vida)

As vidas são projetadas para a conquista de um objetivo final que é integralmente baseado naquilo que temos como crença maior, valor central. Acreditar na conquista de algo é o legitima as desventuras diárias.

Talvez essa, que para mim é a característica comum a qualquer homem, seja o que mais nos divide.

Acreditar no dinheiro como valor central (possibilitador de felicidades) e o que legitima uma vida de trabalho ou três combinações diferentes na loteria. Acreditar em outra forma de organização (outro mundo é possível) é o que legitima cada pequena luta.

De novo.

É engraçado como eu sempre me perco na linha disforme do meu raciocínio.



TRE
BUCHET a fonte do futuro.

domingo, dezembro 24, 2006

Três moças e o Natal

-A gente podia abrir um vinho, né?
-Boa
...

Ouve-se da cozinha:
-Poutz! Tem rolha. E Agora?

Pausa, procura-se o saca-rolha.

...

..

.

As outras se reúnem na cozinha ao som dos primeiros “não vai”, “não entra”.
-Tenta aí.

As três se revezam, e só a mais velha consegue algum avanço.

-Pronto! Agora é só puxar.
-Puxa aí.
-Tenta você.
...

-Espera. Segura a garrafa que eu puxo.
-Tá!

-Ei. Vai espirrar em mim.
-É só puxar pra cima.
-Eu tenho medo.
-Eu também.
...

-É! Ta saindo.
-Ham... err... Na verdade, não.

-Tá, tá. Já sei. Senta e coloca a garrafa no meio das pernas. Daí você puxa pra cima.
Vai ser mais fácil!
- Arrrrr

-Isso, isso. Senta aqui.
-É, e enrola isso na garrafa pra não gelar suas pernas.
-Tá pronta?
-Tô.
-Espera, espera! Vou ajudar a segurar a garrafa.

*PLOC*

-Eeeeee!!
-Pega os copos!
-Esse vai ser o melhor vinho da minha vida!
-Vamos brindar!
-À emancipação feminina e a nossa independência dos homens para abrir garrafas de vinho!
- Ao Natal!

*TIM-TIM*

-Pô, é cooler. Bebida de mocinha, ein.
-O que é que você queria? Rum?

terça-feira, dezembro 19, 2006

não sei.


Perguntaram por aí se meu blog havia morrido e por alguns dias (não aqueles, nem os últimos) eu achei que o motivo pelo qual cismei de inventá-lo havia, sim, ido embora. Se as misérias não haviam sido extintas, estavam, ao menos, no meio do processo. Tal qual as tartarugas da Amazônia. Havia esquecido que isso que nós torna humanos é exatamente o remoer sem fim. Se não remoemos relacionamentos passados, remoemos projetos ou idéias passadas. Se não nós irritamos com a correria, é o marasmo que perturba.

Eu sei que são linhas bastante simplistas. Psicologia barata do eterno descontentamento humano.

Sua mãe te diz isso há anos e nunca precisou de um blog.

Há uma frase em um muro em frente do qual eu passo todo dia dentro de um ligeirinho. É uma dessas frases simples, com moralismo meio boboca, mas eu gosto. Acho que é cheia de significados obscuros mais complexos e é meu divertimento maior rele-lo, todo dia com um significado: “Você se enche de muitas coisas e continua vazio?”.

É isso, não é?

sexta-feira, setembro 29, 2006

Encontrei, postei. É de setembro.


No final das contas (ou nas contas finais) tudo continua muito próximo do que sempre foi. Eu ainda digo as mesmas coisas e fujo do mesmo modo.

Acontece e é sempre da mesma forma.
As frases são sempre muito parecidas. Inspiradas nos mesmos autores, nos mesmos filmes.
Os sorrisos são sempre muito parecidos. Todos eles entre o constrangimento e a alegria contida. Tudo é tão parecido que torna óbvio o que só deveria ser espontaneamente diferente.
Parece ingenuo e deve ser isso mesmo.
Deve ser culpa dessa ingenuidade simulada resultado da dicotomia incomoda que há em mim.
Uma parte de mim sabe e compreende que as coisas são assim. A outra parte, aquela que diz "óun" quando vê casais idosos felizes, não compreende e se irrita.
Não deveria ser assim.
ô, Shakespeare, faça algo por mim.

sábado, setembro 16, 2006

ê laiá

Eu odeio essa minha mania terrível (doentia, psicótica) de preferir as mentiras piedosas às verdades conflituosas. Queria ser forte o bastante para pedir: “A verdade, por favor. Eu agüento”. Mas, na hora final, eu dou um dos meus sorrisos fugidios e imploro mentalmente por um pouco mais de nada.
Acontece continuamente, mas sempre me impressiona. Mesmo depois da verdade estampada, eu ainda me descubro com um daqueles pensamentos “Era só não ter entrado nesse assunto”.

Diz:
Como uma estudante de jornalismo pode gostar tão pouco da verdade e ser tão amante do “me engana que eu gosto”?

Saudades do positivismo.

Percepções da bancarrota

Parte 4:

Quando o que você escuta não é nem o clássico “eu gosto muito de você, mas é como amigo”. O que você recebe na hora final é um sincero, carinhoso e profundo “te amo como a uma filha”.

Pô, incesto não dá.

quarta-feira, agosto 16, 2006

Hoje é seu dia, Solteiro.

Houve um tempo, não muito distante (ontem?), em que eu odiava escrever sobre mim. Achava que blogs eram coisas inúteis e que toda vida era privada demais para ser exposta. Agora ando egocêntrica demais. Sei que não sou de interesse público, que nada na minha vida é inédito ou perigoso e que nada em mim contraria a ordem natural das coisas. É, eu não sou de interesse jornalístico. Mas...

Não sei se você sabe (espero sinceramente que não), mas hoje é o dia do solteiro. Fiquei sabendo, assim, ao acaso e tratei logo de espalhar. Meu objetivo era comemorar o dia parodiando o comportamento dos casaizinhos no dia 12 de julho. Combinei de comer bombom com uma amiga, só fui pra faculdade por causa do Cacos e quase me mandei flores.
Resultado da minha tentativa de simulação: Fico sem chocolate, passo a tarde toda ouvindo coisas como "é ótimo ter um relacionamento duradouro porque você sempre tem alguém com quem contar" e termino o dia com uma frase que escutei no seriado global A Casa das Sete Mulheres (ao acaso também): "Não torne fugaz o que pode ser eterno".
Pra completar, só se eu colocasse coldplay na playlist e jogasse minha franja (mais) pro lado.
Mas hoje é um bom dia. Um ótimo dia. É meu dia.

Parabéns, Solteiros.

Vocês são o Oceano Pacífico.

Contra-argumento do dia: Também não torne eterno o que pode ser fugaz.

segunda-feira, agosto 14, 2006

como?

Como poderia ser diferente?

costumava ser

"- Você já foi mais articulado.
(...)
- Você já foi mais objetiva.
(...)
- Você costumava ser menos objetivo. "

Nós costumavamos ser menos óbvios.

Daqui é assim



Daqui de cima, na minha posição confortável de observadora (e, às vezes, juiza) do mundo, tudo me parece muito fácil. Os problemas todos parecem tolices, coisas que se resolvem com um bom empurrãozinho. Colocar todas as engrenagens pra funcionar e todos os trens descarrilhados de volta nos trilhos não dependeriam de nada além de boa vontade.
Fácil, prático e simples.

Então eu saio do meu lugar e desço os 18 andares que me separam do resto do mundo. Lá embaixo, no mundo, as coisas são menos lógicas e nítidas.
Quando faço parte do mundo, não consigo mais avaliar. Julgar torna-se algo mais impreciso e tolo que viver.
É aí que eu me perco. Sempre.

domingo, agosto 13, 2006

hugr

Você passa a vida toda odiando a sua irmã mais velha. Deseja que ela seja sequestrada por ciganos, que seja expulsa de casa, que fuja com o namorado que ela não tem.
Até que um dia ela decide estudar fora, assim, numa boa. Decide sair do campo de batalhas por vontade própria e te deixa com a nítida sensação de que você conhecerá a felicidade plena. Será a senhora do controle remoto. Terá o sofá do centro da sala, os doces e todas as facilidades que os filhos únicos têm. Finalmente, você é a única filha da casa (em família com três filhos isso pode nunca acontecer).
Você permanece no extase até que ela entra no ônibus e acena pra você. Durante o aceno tranquilo do ser que fez da sua infância um inferno, você sente que vai sentir saudade e chora.
Dez minutos, no máximo, mas você sabe que não importa a duração. Você sabe que depois daquela cena ela nunca mais vai te respeitar. Ela já descobriu que você gosta dela. Agora ela levará suas roupas pra casa sem medo, pedirá favores sem escrúpulo algum e te fará confidências sem temer chantagens.
Só quando você pára pra pensar em como a sua irmã, aquela que passou hipoglós na tua cara, tá aqui experimentando seu guarda-roupa inteiro, é que você lamenta: "merda, podia ter ficado em casa naquele maldito dia".

duh

(foto sem contexto da Ana, uma dessas amigas que alternam ausência e presença)


Eu fiz 3 textos para o blog. TRÊS!
E julguei cada um deles impublicável.

Eu não sei bem qual era o problema com eles, porém algo me fez chegar a conclusão de que não era por aquela linha de escrita que eu gostaria de representar as misérias da minha vida.

Censores seriam mais generosos.